Estreito de Ormuz será 'completamente aberto' na 6ª após acordo com Irã, diz Trump
O presidente americano, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (15), que o Estreito de Ormuz será "completamente aberto" na próxima sexta, depois que Washington e Teerã anunciaram um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Embora o conteúdo do acordo não tenha sido divulgado, o Irã informou que as negociações devem começar em no máximo 60 dias com o objetivo de alcançar um acordo definitivo em questões espinhosas como seu programa nuclear e as sanções contra sua economia.
Em declarações anteriores à cúpula do G7, na França, Trump disse que o estreito estará "completamente aberto" na sexta-feira e acrescentou que não "acredita" ser necessária "muita ajuda" para manter essa crucial via marítima aberta.
"Os navios, alguns carregados com petróleo, estão começando a sair do Estreito de Ormuz", disse antes em sua plataforma, Truth Social.
O fechamento de Ormuz teve grande impacto na economia mundial, gerando inflação em muitos países e problemas de abastecimento de fertilizantes necessários para a produção de alimentos, entre outros.
O Irã bloqueou esta passagem estratégica desde o início da guerra, desencadeada por um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
A notícia do acordo foi recebida com alívio por parte da comunidade internacional, após meses de violência e de caos econômico.
Depois do anúncio, os preços do petróleo cru despencaram e tanto o Brent quanto o WTI eram negociados em torno dos 80 dólares o barril.
Segundo os Estados Unidos e o Paquistão, mediador do conflito, o acordo deve ser assinado na próxima sexta-feira na Suíça.
Mas um alto funcionário do governo americano disse, nesta segunda-feira, que Trump, seu vice-presidente, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, já o assinaram eletronicamente.
"O presidente queria assiná-lo pessoalmente porque queria mostrar... sua decisão para conduzi-lo a uma resolução bem-sucedida", disse o funcionário, que falou com jornalistas sob a condição do anonimato.
O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, informou que Teerã e Washington vão conversar para chegar a um "acordo final" em dois meses.
O exército iraniano qualificou o acordo como uma vitória e afirmou que tinham "humilhado" os Estados Unidos e Israel, enquanto o presidente, Masoud Pezeshkian, se referiu ao pacto como "um grande feito" para toda a região.
No entanto, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou que o Irã ainda sente uma "profunda desconfiança" em relação aos Estados Unidos e que o acordo-quadro é apenas "uma etapa para reduzir as tensões".
- Líbano -
O porta-voz insistiu que os Estados Unidos devem assegurar que Israel se comprometa a parar de atacar o Líbano em virtude do acordo.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no começo de março, quando o grupo islamista Hezbollah, apoiado pelo Irã, atacou Israel em represália pelo assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, desencadeando bombardeios israelenses e uma invasão terrestre.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as forças israelenses permanecerão no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza indefinidamente.
Em Israel, o acordo foi criticado por representantes políticos de todo o arco parlamentar.
O presidente libanês, Joseph Aoun, manifestou sua esperança em que o acordo ponha "fim definitivamente" ao conflito entre Israel e o movimento xiita Hezbollah.
O Hezbollah, enquanto isso, expressou sua "profunda gratidão" ao Irã por ter insistido para que o Líbano fosse incluído no acordo.
Mesmo assim, veículos de imprensa estatais libaneses noticiaram sobre um bombardeio israelense depois do acordo, que matou uma pessoa no sul do país.
- Detalhes pouco claros -
Contudo, os detalhes do acordo seguem pouco claros.
A agência de notícias iraniana Mehr tinha reportado anteriormente que os Estados Unidos liberariam 12 bilhões de dólares (R$ 60 bilhões) em ativos congelados do Irã antes do início das negociações.
Segundo Baqaei, Teerã pedirá que, quando um acordo definitivo que inclua seu programa nuclear tiver sido negociado com Washington, o Conselho de Segurança da ONU o ratifique.
- Tempo perdido? -
Vance disse, nesta segunda-feira, que os Estados Unidos esperam que o Irã não cobre pedágio no Estreito de Ormuz, mas que o tema será tratado dentro do acordo.
Baqaei, enquanto isso, informou que o Irã cobrará taxas por serviços marítimos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, comemorou o anúncio do acordo como um "passo crucial" para a paz.
O acordo foi recebido com alívio pela comunidade internacional. Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Canadá disseram-se dispostos a suspender algumas sanções contra o Irã.
Mas em Teerã, Arya, professor de inglês de 38 anos, considerou que o "acordo não foi mais que uma perda para o povo do Irã".
"Nosso povo não vai voltar à normalidade; só perdemos tempo. O maior resultado desta guerra foi que compreenderam que Trump não é seu aliado", comentou.
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A.Bergeron--SMC