Mbappé chega à Copa do Mundo com contas pendentes e recordes no horizonte
Após uma temporada frustrante no Real Madrid, Kylian Mbappé espera dar a volta por cima na Copa do Mundo, sua competição favorita, da qual se despediu pela última vez marcando um 'hat-trick' na final, em 2022, e fazer jus ao seu status de superastro mundial para conduzir a França ao tricampeonato.
A estrela dos 'Bleus' já tinha o principal evento do futebol marcado em seu calendário há muito tempo. Quando a situação do Real Madrid desandou em abril com a eliminação nas quartas de final da Liga dos Campeões e com a perda do título do Campeonato Espanhol, Mbappé voltou suas atenções para a Copa do Mundo, mesmo correndo o risco de desagradar aos torcedores madrilenhos, que monitoram e criticam cada passo seu.
Sua decisão de cuidar de uma lesão no joelho entre fevereiro e março foi vista como um distanciamento dos interesses do clube, rendendo-lhe críticas ferozes na imprensa espanhola e vaias no Santiago Bernabéu.
Embora sempre tenha garantido estar focado, a Copa do Mundo na América do Norte ocupava, de fato, um lugar de destaque em seus pensamentos.
Mbappé, aos 27 anos (98 jogos pela seleção francesa, 56 gols), sabe melhor do que ninguém o valor da Copa do Mundo, a competição que forjou sua aura quando conquistou o título na Rússia, em 2018, aos 19 anos, seguido por um torneio quase perfeito no Catar, em 2022 (8 gols, incluindo três na final), que terminou de forma cruel com uma derrota nos pênaltis para a Argentina de Messi (3 a 3 após a prorrogação, 4 a 2 nas penalidades).
- Zero preocupação -
É por isso que ele fez todo o possível para chegar em sua melhor forma. Com os problemas físicos (no joelho e na coxa) já superados, Mbappé voltou a focar na seleção francesa e desde que o grupo se reuniu em Clairefontaine, no dia 29 de maio, ele retomou com entusiasmo seu papel de líder dos 'Bleus'.
Embora os amistosos preparatórios não tenham sido particularmente reveladores em termos individuais - ele não marcou gols nas duas partidas, contra a Costa do Marfim e a Irlanda do Norte - sua influência no elenco de Didier Deschamps continua significativa.
Foi ele quem, na condição de capitão, negociou com o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, questões como os bônus da Copa do Mundo e a cota de ingressos destinada aos jogadores para cada partida do torneio.
Ele também é quem atrai todos os olhares nos Estados Unidos.
Não se fala em outro nome quando ele desce do ônibus da equipe a caminho do hotel Four Seasons, em Boston, o campo-base dos 'Bleus', ou, como aconteceu na sexta-feira, durante o treino aberto ao público.
Sua falta de precisão na finalização nos dois amistosos anteriores à viagem para as Américas não abala em nada a confiança que a comissão técnica e os companheiros de equipe depositam nele.
"Não estou preocupado. Ele não foi preciso nas finalizações, mas me disse que estava guardando os gols para os Estados Unidos, então para mim está tudo bem", garantiu Deschamps após a vitória por 3 a 1 sobre a Irlanda do Norte, em 8 de junho, partida na qual o atacante desperdiçou várias chances.
"Ele é um jogador fantástico, que sempre cresceu nos grandes momentos. A Copa do Mundo é uma competição em que ele sempre teve um bom desempenho. Ele é o nosso capitão e sei que fará coisas grandiosas. Não tenho dúvidas disso", afirmou o meio-campista Manu Koné.
- Recordes a bater -
Quanto a Lucas Hernández, um dos quatro jogadores, incluindo o próprio Mbappé, que participaram do triunfo de 2018 na Rússia, ele está convencido de que o jogador do Real Madrid vai "calar os críticos".
"Ele é diferente, extraordinário. Quando você é Mbappé, todos o observam muito mais de perto e acompanham o que você faz fora de campo. Ele está 100% motivado para estrear nesta Copa do Mundo", acrescentou.
Além da busca pela terceira estrela, Mbappé é impulsionado por objetivos mais pessoais em solo americano, dada a sua paixão pelos esportes e pela cultura dos Estados Unidos.
Com um total de 12 gols marcados em duas edições do torneio, o atacante pode se aproximar do recorde em Copas do Mundo que pertence ao alemão Miroslav Klose (16).
Ele também tem a chance de igualar o recorde de Olivier Giroud pela seleção francesa (57 gols) e superar a marca de 100 jogos pela seleção francesa.
Tudo isso serve para consolidar ainda mais o seu status de lenda.
L.Côte--SMC