Socorristas buscam sobreviventes de terremoto que matou 111 na Colômbia
Socorristas e voluntários removem os escombros com as mãos na Colômbia em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes do terremoto mais forte da última década, que deixou até agora 111 mortos, 87 feridos e dezenas de construções colapsadas.
Na primeira hora da manhã, as principais cidades do oeste do país viveram momentos de pânico, com milhares de pessoas nas ruas, enquanto prédios desabavam ou sofriam graves danos, constataram jornalistas da AFP.
O sismo de magnitude 7,4 ocorreu às 7h34 locais (9h34 de Brasília), segundo os serviços geológicos colombiano e dos Estados Unidos.
Em Cali, a terceira cidade da Colômbia e uma das mais afetadas, socorristas removiam os escombros com as próprias mãos em busca por sinais de vida.
"Chegar aqui foi impressionante, parecia o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, buscando entes queridos", disse à AFP o socorrista Nelson Moreno, que chegou para tentar resgatar uma amiga sob dois prédios de cinco andares colapsados. O pai de sua amiga e o bebê da mulher estão feridos, mas saíram com vida.
"Agora precisamos de lanternas e óculos" por causa da poeira para seguir com os trabalhos durante a noite, acrescentou, cercado por centenas de voluntários com cães no local.
Os socorristas montam correntes humanas para tirar os destroços do edifício, com picaretas e ferramentas básicas. A cada tanto, gritam "silêncio" para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados.
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas três dias, declarou estado de emergência e se comprometeu a realizar uma operação de resgate coordenada.
Até agora foram registradas 47 réplicas, segundo a autoridade geológica.
- "Vi pessoas saírem nuas" -
Segundo o balanço mais recente do presidente, além das vítimas há 61 prédios colapsados, 18 centros de saúde avariados e 52 instituições de educação afetadas.
Seis aeroportos sofreram problemas em suas infraestruturas e ficaram inoperantes para voos comerciais.
O epicentro foi registrado perto de San José del Palmar, em Chocó (oeste), uma região pobre que até o momento reportou 13 mortos, enquanto avançam os trabalhos de resgate.
"Eu vi pessoas saírem nuas, pessoas se jogavam de suas casas (...) desesperadas", disse Wilmer Cuesta, estudante de direito que viu o desastre e decidiu auxiliar no resgate.
De la Espriella visitou Chocó e anunciou que viajará para Cali nas próximas horas.
Os Estados Unidos, aliados do novo governo, ofereceu uma ajuda de 15,5 milhões de dólares (cerca de R$ 80 milhões) para lidar com a emergência.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE pôs à disposição seu serviço de satélite Copernicus para as operações de resgate.
Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram ajuda.
- "Situação histórica" -
O sismo revive a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na zona cafeeira.
Em Cali, pelo menos 20 estruturas colapsaram com pessoas presas em seu interior, inclusive o principal hospital público, segundo as autoridades locais.
"Estamos fazendo todos os trabalhos pertinentes para tirar as pessoas com vida (...) Muita gente veio com doações, com comida, ajudando os bombeiros, ajudando as pessoas", disse Andrés Felipe Mejía, socorrista voluntário na cidade.
Em Bogotá, os prédios foram esvaziados e centenas de pessoas foram às ruas em meio ao ruído das sirenes.
Apesar do alarme, o prefeito Carlos Galán assegurou que na capital só foram registradas rachaduras superficiais em algumas casas e prédios.
O futebol também foi afetado. Os jogos previstos para esta semana foram adiados após o terremoto, assim como as partidas das copas Libertadores e Sul-americana previstas para a Colômbia.
A estrela pop Shakira, natural de Barranquilla, escreveu uma mensagem emotiva no X: "Meu coração (...) está com as famílias que estão passando momentos de angústia".
O terremoto foi sentido inclusive em países vizinhos, como em algumas regiões da Venezuela, na capital equatoriana, Quito, e em diversas províncias do Panamá.
Em 24 de junho, um duplo terremoto de magnitudes 7,2 e 7,5 deixou mais de 6.000 mortos e um rastro de destruição na Venezuela.
P.Lefebvre--SMC