EUA apresenta nova acusação contra presidente deposto da Venezuela Maduro e esposa por tortura
Os Estados Unidos apresentaram, nesta quinta-feira (8), novas acusações de tortura contra o presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que se somam ao caso judicial que o casal, preso em Nova York, já enfrentava.
Maduro e Flores foram acusados de narcotráfico e tráfico de armas, após serem capturados em uma operação militar americana em Caracas em 3 de janeiro e transferidos para um presídio no Brooklyn.
Um relatório judicial divulgado nesta quinta-feira mostra que agora os dois também são acusados de conspiração para cometer tortura, e destaca que "infligiram intensa dor e sofrimento físico e mental" a pessoas.
O suposto objetivo era "reprimir e punir a oposição política, silenciar a dissidência (...), preservar e proteger o poder e a autoridade dos membros da conspiração, e intimidar, perseguir e neutralizar seus oponentes, inclusive mediante sequestros".
Os promotores detalham aparentes casos de vítimas não identificadas, inclusive cidadãos americanos que foram submetidos a choques elétricos, simulações de afogamento e espancamentos enquanto estavam presos na Venezuela.
O texto da acusação faz alusão, sem mencioná-lo, ao caso de um agente detido em 2013, a quem Maduro considerava suspeito de preparar um golpe de Estado.
Segundo os promotores, o presidente teria ordenado sua detenção e traslado para os serviços de inteligência militar. Posteriormente, o homem teria sido agredido e submetido a choques elétricos repetidos durante sua reclusão.
- Julgamento em 2027 -
O documento judicial também destaca que, em várias ocasiões, a tortura foi usada após as manifestações antigovernamentais de 2014 a fim de intimidar os opositores políticos.
Por último, menciona vários casos de cidadãos americanos detidos na Venezuela: um deles, detido em 2022, teria sofrido agressões e choques elétricos nos genitais; outro, detido em 2025, teria sido espancado durante dois dias.
"Não vamos poupar esforços para conquistar justiça para as vítimas de crimes violentos, em particular para as vítimas americanas que sofreram tratamentos cruéis no exterior", Jamie McDonald, declarou o procurador federal de Nova York, durante uma coletiva de imprensa.
"Estas novas acusações demonstram a determinação desta administração de fazer justiça para as vítimas de tortura, narcoterrorismo e crime organizado", reagiu no X o secretário de Justiça, Todd Blanche.
O julgamento contra o casal, que até agora se declarou inocente, deve começar em 1º de junho de 2027.
Durante seu primeiro comparecimento em Nova York, Maduro se apresentou como "prisioneiro de guerra" nos Estados Unidos.
Desde então, questionou a legalidade da acusação formal, alegando, entre outras coisas, sua imunidade como chefe de Estado estrangeiro.
Este argumento foi rechaçado pela Promotoria.
Por outro lado, Cilia Flores — que fará 70 anos em 15 de outubro - se apresenta ainda nesta quinta-feira perante um juiz para pedir a prisão domiciliar à espera do julgamento, alegando que sofre de problemas cardíacos.
Após a captura de Maduro, sua então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela.
Rodríguez governa sob pressão de Washington, que diz ter o controle do país.
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D.Ch. Nadeau--SMC