Três casos suspeitos de hantavírus em cruzeiro serão evacuados para Cabo Verde
Três pessoas, entre elas dois tripulantes doentes em um cruzeiro retido no Atlântico devido a um suposto surto de hantavírus, serão evacuadas de Cabo Verde, o que permitirá que o navio siga rumo às Ilhas Canárias, informaram autoridades nesta terça-feira (5).
O MV Hondius está em alerta sanitário depois que a Organização Mundial da Saúde informou no sábado que se suspeitava que um hantavírus — transmitido por roedores infectados — teria provocado a morte de três passageiros.
O navio de bandeira holandesa, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com destino ao arquipélago de Cabo Verde, na África, está ancorado desde domingo em frente a Praia, capital do país, atualmente com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
Os três casos suspeitos a bordo poderão desembarcar no porto de Praia nas próximas horas, antes de serem levados de ambulância ao aeroporto, de onde serão evacuados, anunciou à AFP Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde.
Ela disse que se trata de "dois membros da tripulação doentes com sintomas" — mas cujo estado é "estável" e que não necessitam de hospitalização — e de uma pessoa que esteve em "contato próximo" com outra doente e "desenvolveu uma febre leve".
A OMS havia indicado que os dois tripulantes eram de nacionalidade britânica e holandesa.
Uma infecção por hantavírus pode provocar uma síndrome respiratória aguda.
- Rumo às Canárias -
Após essas evacuações, o MV Hondius seguirá para as Ilhas Canárias, onde chegará dentro de "3 a 4 dias", anunciou o Ministério da Saúde da Espanha, sem especificar o porto.
"Uma vez lá, tripulação e passageiros serão devidamente examinados, atendidos e transferidos para seus respectivos países", acrescentou em comunicado.
O governo espanhol também aceitou um pedido dos Países Baixos "para acolher o médico do MV Hondius, que se encontra em estado grave e será transportado às Canárias em um avião", acrescentou.
A companhia marítima holandesa Oceanwide Expeditions indicou que "nenhum novo caso sintomático foi identificado" a bordo e anunciou que os dois doentes, "que atualmente necessitam de atenção médica", assim como "a pessoa próxima à passageira falecida em 2 de maio", serão transferidos para os Países Baixos em data ainda não especificada.
- "Não há ratos a bordo" -
A OMS acredita que um ou mais casos iniciais "foram infectados fora do navio" pelo vírus e que posteriormente houve transmissão entre pessoas, disse Maria Van Kerkhove, diretora do departamento de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS.
No entanto, é necessário que as pessoas estejam realmente muito próximas para que ocorra contágio. "O risco para o público em geral é baixo. Não se trata de um vírus que se propague como a gripe ou a covid-19", afirmou.
Essa doença é transmitida por roedores infectados, que eliminam o vírus por meio da saliva, urina e fezes.
Van Kerkhove esclareceu que foi informado à OMS que "não há ratos a bordo".
- Origem "improvável" em Ushuaia -
Segundo Juan Petrina, autoridade sanitária da província argentina da Terra do Fogo, cuja capital é Ushuaia, o MV Hondius passou pelos controles de praxe antes de sua saída da cidade.
Ele também considerou "improvável" que o surto tenha se originado em Ushuaia, localizada 3.000 quilômetros ao sul de Buenos Aires.
Van Kerkhove indicou que a variante do vírus ainda não foi identificada.
Pesquisadores na África do Sul trabalham no sequenciamento, afirmou, acrescentando que a hipótese é que se trate do "Andes Virus", o único hantavírus conhecido para o qual foi documentada uma transmissão interpessoal limitada entre contatos.
- Rastreamento de contatos -
As primeiras vítimas fatais foram um casal holandês que havia viajado pela América do Sul antes de embarcar em Ushuaia.
O marido adoeceu em 6 de abril e morreu em 11 de abril. Seu corpo foi desembarcado em 24 de abril na ilha britânica de Santa Helena. Sua esposa, que se sentia mal, desembarcou, piorou durante um voo para Joanesburgo e morreu no hospital em 26 de abril. O hantavírus foi confirmado em 4 de maio.
Agora busca-se localizar as pessoas que estavam nesse voo, no qual a companhia aérea Airlink, baseada na África do Sul, informou que viajavam 82 passageiros e seis tripulantes.
Van Kerkhove disse que o período de incubação típico do hantavírus varia entre uma e seis semanas.
A terceira pessoa falecida é uma passageira alemã do navio, que apresentou febre em 28 de abril, depois desenvolveu pneumonia e morreu em 2 de maio. Seu corpo permanece a bordo.
Um passageiro britânico adoeceu em 24 de abril com sinais de febre e pneumonia e piorou em 26 de abril. Ele foi evacuado para a África do Sul, onde permanece em terapia intensiva, com hantavírus confirmado em 2 de maio.
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F.Leblanc--SMC