Novo chatbot do governo dos EUA contradiz Trump e depois recua
O presidente Donald Trump apresentou nesta semana um chatbot de inteligência artificial (IA) do governo. Mas a ferramenta logo começou a contradizer algumas das afirmações mais polêmicas do presidente e, depois, deixou de responder a determinadas perguntas.
"Olá, Estados Unidos. O que quer que você precise do governo, começa aqui", diz a plataforma America.gov, lançada por Trump na terça-feira (29) com o objetivo de simplificar o acesso a informações e a alguns serviços do governo federal.
Assim que as interações começaram, o chatbot contradisse o presidente em temas sensíveis da política americana, como a eleição presidencial de 2020, que Trump afirma sem provas ter vencido, e a invasão do Capitólio por seus apoiadores em 6 de janeiro de 2021.
Um dia depois, o chatbot, descrito pelo presidente como “bom pra caramba”, deixou de responder a algumas questões de caráter político.
"Em seu primeiro dia, o America.gov recorreu a dados e documentos oficiais para contradizer algumas das narrativas falsas e do enquadramento político sobre imigração e eleições promovidos pelo governo que o criou", apontou o Instituto de Democracia Digital das Américas.
"Análises iniciais constataram que o America.gov, de modo geral, forneceu respostas baseadas em evidências e respaldadas por registros governamentais, mesmo quando esses registros contradiziam afirmações feitas por Trump e seu governo", acrescentou.
Na terça-feira, ao ser questionado sobre a ocorrência de fraude nas eleições de 2020, o chatbot respondeu: "As avaliações federais oficiais realizadas após a eleição presidencial de 2020 não encontraram fraude em uma escala que alterasse o resultado."
Parlamentares democratas rapidamente divulgaram essas respostas. Mas, nesta quarta-feira, a ferramenta mudou de tom ao receber a mesma pergunta. "Não faço comentários políticos nem análises sobre eleições passadas", respondeu.
Não está claro se o governo Trump alterou as configurações para impedir que o chatbot refutasse o presidente. A Casa Branca não se manifestou sobre o assunto.
K.Morrison--SMC